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8.5.10

Reflexos


Corro o risco de me repetir, provavelmente até se torna cansativo ler estas palavras, mas são apenas um reflexo do que sinto e do que hoje, em mais um momento, constatei. Ao ouvir histórias de vida ganhamos uma nova perspectiva em relação à nossa. Perceber a forma como outras pessoas lidaram com problemas, enfrentaram provações, encontraram estratégias para superar dificuldades, transmite-nos confiança e esperança nas nossas próprias capacidades. "Se ele(a) conseguiu... eu também consigo!" Faz-me lembrar a imagem de espelho: ao olhar-me no outro, (re)vejo-me, (re)encontro-me. É por isso que, apesar de algum cansaço (normal) do trabalho, não me canso de ouvir histórias de vida. Ouço, reflicto, repenso, aprendo, transformo(me).
Escrever a história de vida pode transformar quem a escreve, mas também quem a lê.

28.4.10

Aprendizagens


Apesar da rotina que se instala nos dias, não deixo de me impressionar com a capacidade que o ser humano tem de dar a volta à vida, de recomeçar, de lutar, de conseguir mudar e transformar dias negros em arco-íris. Essa é a maior aprendizagem que retiro da minha experiência em Educação de Adultos: todos nós, em qualquer fase da nossa vida, e mediante as piores circunstâncias, temos os recursos de que necessitamos para dar um novo rumo à nossa vida.

12.1.10

Um sonho... uma missão!

As cerimónias de entrega de diplomas são já um hábito para quem se dedica à educação de adultos, sobretudo nos últimos anos. No entanto, cada uma é revestida de momentos emocionantes e irrepetíveis, o que significa que é única. Hoje foi o dia da Escola, em que se comemoraram 32 anos de serviço em prol da educação de um concelho do interior, não se pode dizer esquecido, mas ainda sem grandes oportunidades de qualificação e de emprego. Jovens alunos e adultos receberam os seus diplomas. No entanto, algo bastante evidente os distingue: o brilho no olhar, o peito inchado de orgulho, o sorriso de satisfação pelo trabalho desenvolvido. O que se sente nestes adultos é a emoção de ver cumprido um sonho, muitas vezes adiado (e quase se pensava impossível) por uma vida difícil, de trabalho na terra, nas vindimas, na construção civil, na emigração... E por isso, entregar um diploma a uma destas pessoas é uma responsabilidade, mas também a sensação de dever cumprido. Por saber que ajudámos a concretizar esse sonho e que aquele não é apenas mais um papel que vai ficar esquecido numa gaveta qualquer.
Hoje foi um dia em que revi muitas dessas pessoas que acompanhei, que me marcaram e me transformaram numa pessoa e numa profissional mais atenta, mais sensível e mais compreensiva. Ao rever algumas dessas pessoas lembrei-me daqueles programas de televisão "Antes e Depois", que mostram as pessoas a passar por uma transformação. Para muitas delas podemos fazer um antes e um depois deste processo, que acredito as tenha transformado, como senti hoje. Pessoas, sobretudo mulheres, com mais iniciativa, mais cuidado consigo próprias, mais vontade de descobrir e de aprender coisas novas. É, pois, um dia de orgulho e de reconhecimento por todo o trabalho que foi realizado, quer por cada adulto, quer pela família que o acompanhou, quer pela equipa que a ele se dedicou. Parabéns a todos os que ousam sonhar e ir mais longe, sempre!

1.10.09

Ciclos

Hoje cometi um pecado. Talvez um erro. Caí em tentação. Não sei, podia dar-lhe vários nomes. É preciso fazer uma ressalva, antes de ser Profissional RVC, sou Psicóloga. Foi para isso que estudei, é isso que gosto de fazer e me apaixona.
Hoje fui muito pouco Profissional RVC, hoje fui Psicóloga. Sinceramente, ao dizer isto, não sei se faz sentido. Não sei se alguma vez dissociei aquilo que sou daquilo que faço. Hoje ouvi, sobretudo. Ouvi as pessoas falarem sobre si, sobre as suas vidas, sobre as suas dores. E são tantas!... Homens e mulheres, cada um com os seus problemas. Estava a ouvir e a pensar como é que aquela pessoa que estava à minha frente, a chorar ou a conter-se para o não fazer, conseguia ainda arranjar coragem para escrever e reflectir a sua história de vida. Coloquei precisamente esta questão. Na maioria dos casos, percebi que a reflexão sobre o percurso de vida era até terapêutica, uma vez que havia uma maior consciência dos ciclos da mesma. Porque a vida é feita de ciclos. A vida é feita de momentos da maior felicidade, em que tudo parece simples e eterno, mas também é feita de dor, de sofrimento, de momentos que parecem, igualmente, não ter fim. E a vida é feita da capacidade de dar a volta aos ciclos negativos para os transformar em positivos. É isso que os "meus" adultos me ensinam diariamente. Ouvi-los é, também para mim, terapêutico. Por isso, ao agradecerem pelo tempo ou pelo desabafo, a única coisa que posso dizer é que eu é que tenho tanto, mas tanto a agradecer!

23.9.09

Porque...


...todos os sítios são bons para ler!


Novas Oportunidades a Ler+ é um projecto recentemente criado, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento do gosto pela leitura junto do público adulto dos Centros Novas Oportunidades.
Porque ler é uma das coisas que mais gosto de fazer e porque este é um projecto que penso ter potencial e interesse, dedicarei alguns posts a este tema nos próximos tempos.

23.2.09

Motivação

Como profissional RVC cada vez tenho mais noção da responsabilidade das funções que desempenho. E essas funções extravazam em muito aquilo que está definido formalmente. Uma das funções mais importantes, para mim, é a motivação dos adultos que acompanho. Motivar não é tão difícil como pode parecer. Primeiro há que conquistar a pessoa. Para isso, é necessário conhecê-la, dar espaço para que ela se mostre e até se descubra melhor a si própria. Durante essa fase temos que estar muito atentos, para começarmos a perceber as potencialidades daquela pessoa que temos à nossa frente. Quando isso acontecer, temos que nos tornar um espelho, ou seja, devolver-lhe o que de mais positivo ela nos mostra. Se pensarmos em nós próprios, quantas vezes achamos que não valemos nada, que o que dizemos não é importante, que o que fazemos não tem utilidade?... Acontece-nos a todos, em tantos momentos da nossa vida! No entanto, quando temos alguém que nos diz o contrário, paramos e pensamos: "secalhar até é verdade...". E se continuarmos a ouvir o mesmo, várias vezes, em diversos momentos, começamos a acreditar que realmente talvez seja mesmo verdade! E parece que nos sentimos mais fortes, mais capazes, parece até que conseguimos fazer coisas que nunca pensámos vir a fazer!... É isso que penso que devemos fazer com os adultos que acompanhamos: estar atentos, reforçar positivamente, incentivar, ser constantes, perseverantes. Temos que ajudar a pessoa a reconstruir a sua imagem, aquela imagem que tem de si própria quando se vê ao espelho e que, regra geral, não é muito positiva. Para isso é preciso tempo, dirão alguns. Eu penso que o tempo pode ser o que fazemos com ele. Numa hora com um adulto podemos fazer tanto! Basta estar disponível e mostrar-lhe o que o espelho mostra de melhor... Outros dirão certamente que isto não é um processo terapêutico. É verdade, não é. Mas de que parte o Balanço de Competências, a metodologia de base dos processos de reconhecimento e validação de competências? Precisamente da promoção do autoconhecimento e da autovalorização das pessoas. Porque quando se transformam estas duas variáveis, tudo o resto se começa também a transformar.

Devia-se falar mais na importância da motivação na educação de adultos. Devia-se falar mais em balanço de competências. Devia-se ter tempo, dar tempo. Pensa-se demasiado nos números, estão-se a esquecer as PESSOAS.

21.1.09


"Entre a multidão há homens que não se destacam, mas são portadores de prodigiosas mensagens. Nem eles próprios o sabem."

Antoine de Saint-Exupéry


Trabalhar com adultos dá-nos a possibilidade de conhecer homens como os que fala Saint-Exupéry. Homens que andam toda uma vida a trabalhar, a lutar, que aprendem em diversos contextos e de variadíssimas formas, que constroem uma família, que contribuem para o desenvolvimento de um país, homens que muitas vezes não sabem que sabem, que sorriem como crianças envergonhadas quando lhes dizemos "está a ver, aquilo que sabe é muito mais do que pensa, só tem que acreditar nisso!". Poder partilhar da transformação interior que muitos destes homens vivem é, sem dúvida, um privilégio, que acaba por superar muitas das dificuldades que sentimos. É inexplicável a sensação quando um adulto nos diz: "hoje sinto-me diferente, desde que iniciei o processo RVCC que percebo que sou alguém, que sou importante"... É isto que muitas vezes dá sentido ao nosso dia.