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17.5.10

16 de Maio - Dia Internacional das Histórias de Vida


"Histórias. Toda a nossa vida gira à volta das histórias que ouvimos, lemos, vemos e sonhamos. Somos movidos pelas histórias que nos inspiram, emocionam, impressionam - e nos dão o sentido e os sentidos que, acreditamos, a vida tenha.
As histórias são, na sua imaterialidade, a forma concreta de percebermos e sentirmos a matéria de que são feitos os sonhos e de que é feito esse sonho principal que é a nossa vida, a nossa existência - o nosso corpo e o nosso tempo."

Nuno Artur Silva, in "Histórias Devidas"

13.1.10

Menos pobreza, mais justiça e integração social!

2010 foi designado o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social.

"Apesar de a União Europeia ser uma das regiões mais ricas do mundo, 17% da sua população não tem os meios necessários para satisfazer as suas necessidades mais básicas.

A pobreza é normalmente associada aos países em vias de desenvolvimento nos quais a subnutrição, a fome e a falta de água limpa e potável são desafios quotidianos. Contudo, a Europa também é afectada pela pobreza e pela exclusão social, onde apesar de estes problemas poderem não ser tão gritantes, são ainda assim inaceitáveis. A pobreza e a exclusão de um indivíduo implicam o empobrecimento de toda a sociedade. A Europa só pode ser forte se utilizar ao máximo o potencial de cada um dos seus cidadãos.

Não há nenhuma solução milagrosa para acabar com a pobreza e com a exclusão social mas uma coisa é certa: não podemos vencer esta batalha sem si. É tempo de renovarmos o nosso compromisso para com a solidariedade, justiça social e maior inclusão."

Saber mais: aqui e aqui!

Ficaremos atentos às conquistas desta iniciativa. No entanto, fazer a diferença no dia-a-dia depende de cada um de nós e não apenas deste tipo de eventos. É diariamente e na nossa comunidade, nos que estão mais perto de nós, que temos que começar por intervir e contribuir para a erradicação da pobreza.
Porque não começar já? Os CTT têm um projecto de luta contra a pobreza que permite a todos nós enviar bens de vários tipos para instituições de todo o país, que diariamente prestam auxílio no terreno aos que mais precisam. O melhor é que o podemos fazer de forma gratuita, utilizando para isso as embalagens "solidárias". E é sempre bom pensar que um dia podemos vir a ser nós... Por isso mesmo, está na hora de contribuir!

12.1.10

Um sonho... uma missão!

As cerimónias de entrega de diplomas são já um hábito para quem se dedica à educação de adultos, sobretudo nos últimos anos. No entanto, cada uma é revestida de momentos emocionantes e irrepetíveis, o que significa que é única. Hoje foi o dia da Escola, em que se comemoraram 32 anos de serviço em prol da educação de um concelho do interior, não se pode dizer esquecido, mas ainda sem grandes oportunidades de qualificação e de emprego. Jovens alunos e adultos receberam os seus diplomas. No entanto, algo bastante evidente os distingue: o brilho no olhar, o peito inchado de orgulho, o sorriso de satisfação pelo trabalho desenvolvido. O que se sente nestes adultos é a emoção de ver cumprido um sonho, muitas vezes adiado (e quase se pensava impossível) por uma vida difícil, de trabalho na terra, nas vindimas, na construção civil, na emigração... E por isso, entregar um diploma a uma destas pessoas é uma responsabilidade, mas também a sensação de dever cumprido. Por saber que ajudámos a concretizar esse sonho e que aquele não é apenas mais um papel que vai ficar esquecido numa gaveta qualquer.
Hoje foi um dia em que revi muitas dessas pessoas que acompanhei, que me marcaram e me transformaram numa pessoa e numa profissional mais atenta, mais sensível e mais compreensiva. Ao rever algumas dessas pessoas lembrei-me daqueles programas de televisão "Antes e Depois", que mostram as pessoas a passar por uma transformação. Para muitas delas podemos fazer um antes e um depois deste processo, que acredito as tenha transformado, como senti hoje. Pessoas, sobretudo mulheres, com mais iniciativa, mais cuidado consigo próprias, mais vontade de descobrir e de aprender coisas novas. É, pois, um dia de orgulho e de reconhecimento por todo o trabalho que foi realizado, quer por cada adulto, quer pela família que o acompanhou, quer pela equipa que a ele se dedicou. Parabéns a todos os que ousam sonhar e ir mais longe, sempre!

28.9.09

Partilhar a paixão pelos livros!

Uma ideia interessante para a promoção da leitura num Centro Novas Oportunidades, pode ser a criação de um blogue ou de uma rede social sobre leitura.
Todos os adultos devem ser incentivados a participar com os livros que vão lendo, mesmo a nível profissional. A ideia é serem trocadas sugestões e opiniões, que suscitem nos colegas o interesse pela leitura, quer através de resumos, quer de citações, quer de imagens.
Esse espaço pode ter também ligações para outras comunidades de leitores, para bibliotecas, livrarias e outros sites relacionados com a leitura.
Fica uma sugestão!

24.9.09

E/ou língua estrangeira?...

Comemora-se no próximo dia 26 o Dia Europeu das Línguas, proclamado pelo Conselho da Europa no final do Ano Europeu das Línguas, em 2001, e que pretende incentivar a aprendizagem das línguas entre todos os grupos etários, bem como destacar a importância da diversidade linguística. É importante partir do princípio que a aprendizagem de línguas é um processo que dura toda a vida e não se limita apenas à escola.
Segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat, Portugal é o segundo país da União Europeia (UE) onde menos adultos falam uma língua estrangeira. Cerca de 51% de adultos entre os 25 e os 64 anos não falam qualquer língua estrangeira, contra 36,2% da média da UE. (Fonte: Público)
Estes dados não deixam de ser preocupantes, uma vez que o domínio de línguas estrangeiras é fundamental na economia moderna e no mundo do trabalho, que cada vez é mais global e competitivo.
Não podemos deixar de reflectir e de pensar o que está a ser feito neste momento a este nível, para a população adulta. Como reconhecer competências que a grande maioria dos adultos não possui?... Que políticas de formação existem e qual será o seu impacto na aprendizagem efectiva de línguas estrangeiras?... Continua, na minha opinião, a ser uma lacuna que terá que ser discutida em profundidade e que pede respostas e medidas urgentes, eficientes e eficazes.

Aprender? Sempre!



«A expressão aprendizagem "ao longo da vida" (lifelong) coloca a tónica no tempo: aprender durante uma vida, contínua ou periodicamente. A recém-cunhada expressão "aprendizagem em todos os domínios da vida" (lifewide) vem enriquecer a questão, chamando a atenção para a disseminação da aprendizagem, que pode decorrer em todas as dimensões das nossas vidas em qualquer fase das mesmas.

A dimensão "em todos os domínios da vida" coloca uma tónica mais acentuada na complementaridade das aprendizagens formal, não-formal e informal, lembrando que uma aquisição de conhecimentos útil e agradável pode decorrer, e decorre de facto, no seio da família, durante o tempo de lazer, na convivência comunitária e na vida profissional quotidiana. A aprendizagem em todos os domínios da vida faz-nos também perceber que ensinar e aprender são papéis e actividades que podem ser alterados e trocados em diferentes momentos e espaços.»

In Memorando sobre Aprendizagem ao Longo da Vida, Bruxelas, 2000.

23.9.09

Porque...


...todos os sítios são bons para ler!


Novas Oportunidades a Ler+ é um projecto recentemente criado, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento do gosto pela leitura junto do público adulto dos Centros Novas Oportunidades.
Porque ler é uma das coisas que mais gosto de fazer e porque este é um projecto que penso ter potencial e interesse, dedicarei alguns posts a este tema nos próximos tempos.

8.9.09

Identificação

Certa manhã, meu pai ordenou-me inesperadamente:
-Diz à tua mãe que te vista o fato novo para ires tirar o retrato:
Admirei-me:
-Mas hoje não é o dia dos meus anos...
-Pois não. Mas lá em Beja precisam de dois retratos. É para te identificarem.
-Identificarem?
-Sim. Para saberem que és tu e não outro.
-Não percebo - recomecei, desconfiado. - Como podem eles supor que vai outro em meu lugar?
Daqui por diante, a conversa complicou-se de tal modo que meu pai perdeu a serenidade; gritou-me:
-Faz o que te digo, rapaz!
Fiz. Nada mais havia a replicar quando meu pai me chamava rapaz. Era uma regra que, à custa de alguns sopapos, eu acabara por introduzir nas nossas relações. Respeitando a regra, foi, pois, a minha mãe que me vestiu de ponto em branco.
Daí a pouco, com grande escândalo dos meus amigos, passei pelo largo, a caminho da casa do senhor Rodrigo. E eu, tido e respeitado como um rapaz às direitas, lá ia de enorme colarinho de goma, ao lado do meu pai.
Nem olhava para ninguém.
E, ainda hoje, após tantos anos, sinto vergonha. Não já pela gola, mas pelo rosto de estarrecido espanto com que fiquei no retrato.


Manuel da Fonseca, in "O Fogo e as Cinzas"

Dia Mundial da Alfabetização


"A alfabetização é um direito humano, um instrumento de realização pessoal e uma ferramenta essencial para o desenvolvimento social e humano. As oportunidades educativas dependem da alfabetização. A alfabetização é a base da educação para todos, e essencial para exterminar a pobreza, reduzir a mortalidade infantil, restringir o crescimento demográfico, permitir a igualdade de género e assegurar o desenvolvimento sustentável, a paz e a democracia."


(Fonte: UNESCO)

5.9.09

Agarrar as oportunidades

Uma dedicatória especial a todos os que decidem mudar a sua vida e investir na sua formação/qualificação. Não é fácil tomar a decisão e enveredar por um processo que muitas vezes é longo, cansativo, exigente e diferente do que conhecemos. Mas é importante agarrar as oportunidades, porque a qualquer momento nos podem fazer falta. É difícil, mas a mudança está dentro de cada um de nós...

18.3.09

Quem são os analfabetos afinal?...

Hoje tive uma experiência marcante, para juntar a tantas outras que vou vivendo nos percursos da vida. Hoje bateu-me à porta um senhor. Estava muito sujo, de barba por fazer, primeiro pensei (no pensamento estúpido que vamos formando na rotina dos dias...) que se tivesse enganado. Mas não, era mesmo para o Centro, percebi-o assim que se sentou e me disse, com um olhar vivo e brilhante, que há muito tempo que ouvia um anúncio na rádio por "causa de se voltar à escola". O mesmo olhar que reconheço sempre em quem tem curiosidade, em quem quer aprender, sempre mais e mais, contra o fatalismo da idade ou das convenções sociais. O senhor não tem quaisquer habilitações, não sabe ler nem escrever, apenas assinar o nome numa escrita rudimentar, que fez questão de me mostrar no novíssimo Cartão do Cidadão. Pegámos nesse mesmo cartão para tentar ver o que sabia o senhor afinal. Soletrou com orgulho: P-O-R-T-U-G-A-L. Não sabe juntar as letras, por isso, apesar de as soletrar, não sabia que ali estava escrito o nome do seu país. Fiquei esmagada. Não por ser a primeira vez que contactava com uma pessoa analfabeta ou por achar que não existem (há quem diga por aí que o analfabetismo em portugal é "residual..."). Felizmente vivo no mundo real, real demais. No mundo em que há um senhor de 68 anos que me diz: "tem-me feito mais falta ler e escrever do que o pão". No mundo em que no ano passado, recentemente, não foi autorizado um curso de alfabetização para 9 (N-O-V-E) pessoas. Porque eram só N-O-V-E. Não hei-de descansar enquanto essas nove pessoas, mais o senhor Artur, mais outras que estejam "perdidas" noutras instituições tenham a OPORTUNIDADE de ter o direito fundamental de aprender a ler e a escrever. Quando lhe disse que, neste momento, não tinha resposta para lhe dar, o senhor chorou e disse "nós é que precisávamos! tem-me feito tanta falta! eu não pude mesmo estudar, com 4 anos já andava a criar cabras". Este é o Portugal real, fora dos gabinetes onde se decide a certificação e/ou a qualificação. Deixei-me estar com o senhor Artur, sem olhar para o relógio, sem pensar em sistemas informáticos que tentam controlar o nosso tempo. E naquele momento ouvi aventuras vividas em França, em Espanha, e a dureza da vida que o afastou da escola, que agora procura, com 68 anos, disposto a ir "para onde for" para aprender a ler e a escrever. "Vai aprender", respondi-lhe.