"O percurso da vida significa um percurso de aprendizagem, que permite ultrapassar fronteiras e descobrir novos horizontes, tanto interiormente como exteriormente (...)"
Paulo Freire
Brinca enquanto souberes! Tudo o que é bom e belo Se desaprende… A vida compra e vende A perdição, Alheado e feliz, Brinca no mundo da imaginação, Que nenhum outro mundo contradiz!
Brinca instintivamente Como um bicho! Fura os olhos do tempo, E à volta do seu pasmo alvar De cabra-cega tonta, A saltar e a correr, Desafronta O adulto que hás-de ser!
"Sei que seria possível construir o mundo justo As cidades poderiam ser claras e lavadas Pelo canto dos espaços e das fontes O céu o mar e a terra estão prontos A saciar a nossa fome do terrestre A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia Cada dia a cada um a liberdade e o reino — Na concha na flor no homem e no fruto Se nada adoecer a própria forma é justa E no todo se integra como palavra em verso Sei que seria possível construir a forma justa De uma cidade humana que fosse Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo"
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
Esta música é, simplesmente, um poema maravilhoso sobre a escola, que vale a pena ouvir e voltar a ouvir, vezes sem conta...
É bom acreditar (e recordar) que a escola ainda representa o que este poema canta para muitos dos que a procuram e que encontram nela muitas vezes o único abrigo...
É preciso ter esperança na educação!
E com um búzio nos olhos claros Vinham do cais, da outra margem Vinham do campo e da cidade Qual a canção? Qual a viagem?
Vinham p’rá escola. Que desejavam? De face suja, iluminada? Traziam sonhos e pesadelos. Eram a noite e a madrugada.
Vinham sozinhos com o seu destino. Ali chegavam. Ali estavam. Eram já velhos? Eram meninos? Vinham p’rá escola. O que esperavam?
Vinham de longe. Vinham sozinhos. Lá da planície. Lá da cidade. Das casas pobres. Dos bairros tristes. Vinham p’rá escola: a novidade.
E com uma estrela na mão direita E os olhos grandes e voz macia Ali chegaram para aprender O sonho a vida a poesia.