12.1.10


"O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade."

Agostinho da Silva

A Outra Margem

Esta música é, simplesmente, um poema maravilhoso sobre a escola, que vale a pena ouvir e voltar a ouvir, vezes sem conta...
É bom acreditar (e recordar) que a escola ainda representa o que este poema canta para muitos dos que a procuram e que encontram nela muitas vezes o único abrigo...
É preciso ter esperança na educação!



E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

Maria Rosa Colaço

Um sonho... uma missão!

As cerimónias de entrega de diplomas são já um hábito para quem se dedica à educação de adultos, sobretudo nos últimos anos. No entanto, cada uma é revestida de momentos emocionantes e irrepetíveis, o que significa que é única. Hoje foi o dia da Escola, em que se comemoraram 32 anos de serviço em prol da educação de um concelho do interior, não se pode dizer esquecido, mas ainda sem grandes oportunidades de qualificação e de emprego. Jovens alunos e adultos receberam os seus diplomas. No entanto, algo bastante evidente os distingue: o brilho no olhar, o peito inchado de orgulho, o sorriso de satisfação pelo trabalho desenvolvido. O que se sente nestes adultos é a emoção de ver cumprido um sonho, muitas vezes adiado (e quase se pensava impossível) por uma vida difícil, de trabalho na terra, nas vindimas, na construção civil, na emigração... E por isso, entregar um diploma a uma destas pessoas é uma responsabilidade, mas também a sensação de dever cumprido. Por saber que ajudámos a concretizar esse sonho e que aquele não é apenas mais um papel que vai ficar esquecido numa gaveta qualquer.
Hoje foi um dia em que revi muitas dessas pessoas que acompanhei, que me marcaram e me transformaram numa pessoa e numa profissional mais atenta, mais sensível e mais compreensiva. Ao rever algumas dessas pessoas lembrei-me daqueles programas de televisão "Antes e Depois", que mostram as pessoas a passar por uma transformação. Para muitas delas podemos fazer um antes e um depois deste processo, que acredito as tenha transformado, como senti hoje. Pessoas, sobretudo mulheres, com mais iniciativa, mais cuidado consigo próprias, mais vontade de descobrir e de aprender coisas novas. É, pois, um dia de orgulho e de reconhecimento por todo o trabalho que foi realizado, quer por cada adulto, quer pela família que o acompanhou, quer pela equipa que a ele se dedicou. Parabéns a todos os que ousam sonhar e ir mais longe, sempre!

Poeminha sobre o Trabalho


Chego sempre à hora certa,
contam comigo, não falho,
pois adoro o meu emprego:
o que detesto é o trabalho.


Millôr Fernandes

19.10.09

Agora sim... ou ainda não?...

Raramente as oportunidades se repetem e, muitas vezes, quando queremos dizer que sim, já não vamos a tempo. Há um tempo certo para tudo. Então, agora sim, ou agora não?...

15.10.09

Ler em qualquer lugar, a qualquer preço

Descobri aqui esta ideia, interessante e prática (que já existe noutros países), que se espera que seja um contributo para a divulgação do livro e para a promoção da leitura.


A Leya instalou máquinas de venda automática de livros em duas estações da cidade de Lisboa, iniciativa que promete repetir e alargar a outros locais de grande movimento de pessoas. As máquinas contém livros da Colecção Bis - colecção de pequeno formato da Leya. Para além de acessível a todas as bolsas (os livros custam nas máquinas entre 6€ e 7,5€), a colecção inclui obras sobejamente conhecidas e de grande qualidade, como "Novos Contos da Montanha", de Miguel Torga, "O Vale da Paixão", de Lídia Jorge ou "As Intermitências da Morte", de Saramago, entre muitos outros. Desta colecção, um dos livros que recomendo vivamente, a qualquer pessoa, é "As Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira. É um livro que se lê muito bem, é divertido, mas, ao mesmo tempo, faz-nos pensar sobre várias questões que, no fundo, norteiam o mundo e a sociedade em que vivemos. Se clicar no nome dos livros, tem a possibilidade de ler o 1.º capítulo, gratuitamente. Fica a sugestão!