4.9.09

Regresso

TUDO É FOI

Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.

Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.

Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.

Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.

Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.


António Gedeão, in "Poemas Escolhidos"

19.7.09

Mudança


Numa fase de mudança da minha vida, este espaço será temporariamente encerrado até decidir ou não a sua continuidade.
Agradeço a todos a presença e o carinho com que sempre me acompanharam e espero voltar em breve, com ideias e projectos renovados.

10.7.09

E-Portfolios

Cada vez mais avançamos para o recurso a e-portfolios, como forma de organizar, reflectir e partilhar as aprendizagens e as competências adquiridas ao longo da vida, nos mais variados contextos. Aqui fica uma explicação simples e clara do que é e das suas vantagens e potencialidades.

3.7.09

Dar valor

Um dos princípios básicos para trabalhar na educação de adultos, na minha opinião, é acreditar no potencial das pessoas, nas suas competências, nos seus saberes e na capacidade que têm de aprender e evoluir sempre mais. Por isso, é com tristeza que ouço alguns colegas falarem dos adultos que acompanham de uma forma tão distante e tão desfasada da realidade. "Não sabem escrever, nem reflectir, nem mexer num computador, nem falar uma língua estrangeira, nem têm cultura, nem, nem...". E do que os adultos sabem fazer? Raramente ouço alguém falar, infelizmente. Quantas vezes nos preocupamos em nos sentarmos e conversarmos com a pessoa que temos à nossa frente, com tempo e vontade para entender as suas reais competências? São os adultos que acompanhamos que têm construído o nosso país. É certo que em alguns campos podemos estar muito abaixo das médias europeias, mas noutros estamos muito acima, e é graças a essas pessoas, que todos os dias, ao longo da sua vida, têm aprendido a lutar e a superar as adversidades. Pessoas que sabem mais do que eu ou do que muitos dos técnicos que as acompanham, nas mais diversas áreas, quer a nível profissional, quer pessoal, quer social.
Muitas das pessoas que mais marcaram a minha vida são analfabetas ou têm baixas habilitações, não sabem escrever ou fazem-no com dificuldade, não mexem num computador e apenas ouvem falar em "internet", sem no entanto conseguirem compreender o que é ou como funciona, mas isso não faz delas pessoas menores, pelo contrário. Muitas vezes são estas pessoas que nos dão verdadeiras lições de cidadania, de educação, de partilha, de respeito pelos outros. E para isso não há UFCD, ou Cursos EFA, ou sequer Licenciaturas ou Mestrados que valham. Isso só se aprende na e com a vida. Por isso, tenho sempre muito respeito e admiração pelos adultos que acompanho. E é uma pena ouvir técnicos e supostos profissionais desta área falar assim. Porque enquanto não acreditarmos nas pessoas e na sua capacidade e vontade de empreender e aprender, ficaremos sempre aquém daquilo que se espera com estes processos, que dependem, em larga medida, do nosso empenho, comprometimento e atitude, enquanto profissionais.

11.6.09

Caminhar

Há já algum tempo que não escrevo neste espaço. Todos nós passamos por fases de algum desânimo ou frustração a nível profissional. As razões são imensas, porque temos que lidar com conflitos no dia-a-dia, porque gostaríamos de estar a fazer uma coisa diferente, porque nos sentimos pouco recompensados ou reconhecidos, porque o ambiente de trabalho pode não ser o melhor, porque ambicionamos mais, ou, simplesmente, porque não conseguimos encontrar no nosso dia aquela luz, aquele instante mágico que faz a diferença e que nos faz agradecer pelo que temos e pelo que fazemos. Enfim, mais uma vez, as razões são imensas, quase infinitas, tendo em conta o percurso de vida de cada um de nós.
Sempre defendi que devemos fazer o que gostamos, o que nos realiza, o que nos faz feliz. Não nego que estou numa fase em que tenho vontade de mudar, é verdade que gostaria de estar a fazer algo diferente, que me realizasse plenamente. Mas hoje, ao rever uma apresentação que fiz há quase um ano, sobre o "Baú das Recordações", que costumo usar nas minhas sessões de grupo, redescobri a essência daquilo em que acredito e do que me fez já passar momentos muito felizes e de grande realização profissional e pessoal ao longo do tempo em que tenho trabalhado como Profissional RVC. As pessoas. Sim, as pessoas, cada pessoa que passa pela minha vida e que deixa uma marca única, que tantas vezes já contribuiu para que eu mudasse, para que eu própria me transformasse ao testemunhar a transformação dos outros. A importância das histórias de vida, que me levaram a (re)pensar a minha própria, ao descobrir nos outros a força de vencer as adversidades e os obstáculos, mesmo aqueles que parecem intransponíveis. A certeza de que é possível mudar, ser melhor, fazer melhor, todos os dias. É isso que me faz voltar a ver o que faço com outros olhos, com o olhar que andou embaciado durante um tempo, mas que hoje voltou a brilhar. E, apesar de todos os constrangimentos, de tudo o que tenta ofuscar a verdadeira essência do reconhecimento e validação de adquiridos, eu acredito no que faço, acima de tudo porque acredito nas pessoas, em mim e na nossa capacidade de mudança.

10.6.09

Agora sei...

...obrigada a quem me ensinou!...

Quem somos, donde vimos, para onde vamos?
Há muito já que moro no porquê.
Nada sabemos senão que passamos.
E há sempre um homem que já foi
E há sempre um homem que ainda não é.
É esse que me dói.

Agora sei que nada é fixo: há sempre um por fazer
Há sempre outro partir depois de cada chegar

Agora sei que para saber
É preciso rasgar as mãos... e procurar.


Manuel Alegre

16.5.09

Histórias de vida

Hoje comemora-se o Dia Internacional de Histórias de Vida. Um dia com um significado especial para quem trabalha diariamente com a valorização da vida das pessoas comuns, anónimas, mas que constituem a identidade do nosso país e que constroem, com o seu esforço, a sua História. E devo dizer que uma das coisas mais valiosas que me fica desta experiência profissional é, precisamente, ter aprendido a valorizar cada pessoa, cada história de vida, como se fosse a mais importante do mundo. Porque o é, de facto. Para a pessoa e para as que a rodeiam, é a história e a vida mais importante. E recordo-me daquelas que já li, que já me contaram, das pessoas que amo e me rodeiam, penso na minha própria história de vida. É, sem dúvida, fundamental que se respeitem e se dignifiquem as histórias de vida, como está a ser feito hoje com esta série de iniciativas.
Um dia e uma memória a repetir todos os dias da nossa história de vida!