
Numa fase de mudança da minha vida, este espaço será temporariamente encerrado até decidir ou não a sua continuidade.
Agradeço a todos a presença e o carinho com que sempre me acompanharam e espero voltar em breve, com ideias e projectos renovados.
"O percurso da vida significa um percurso de aprendizagem, que permite ultrapassar fronteiras e descobrir novos horizontes, tanto interiormente como exteriormente (...)" Paulo Freire
Um dos princípios básicos para trabalhar na educação de adultos, na minha opinião, é acreditar no potencial das pessoas, nas suas competências, nos seus saberes e na capacidade que têm de aprender e evoluir sempre mais. Por isso, é com tristeza que ouço alguns colegas falarem dos adultos que acompanham de uma forma tão distante e tão desfasada da realidade. "Não sabem escrever, nem reflectir, nem mexer num computador, nem falar uma língua estrangeira, nem têm cultura, nem, nem...". E do que os adultos sabem fazer? Raramente ouço alguém falar, infelizmente. Quantas vezes nos preocupamos em nos sentarmos e conversarmos com a pessoa que temos à nossa frente, com tempo e vontade para entender as suas reais competências? São os adultos que acompanhamos que têm construído o nosso país. É certo que em alguns campos podemos estar muito abaixo das médias europeias, mas noutros estamos muito acima, e é graças a essas pessoas, que todos os dias, ao longo da sua vida, têm aprendido a lutar e a superar as adversidades. Pessoas que sabem mais do que eu ou do que muitos dos técnicos que as acompanham, nas mais diversas áreas, quer a nível profissional, quer pessoal, quer social.
Há já algum tempo que não escrevo neste espaço. Todos nós passamos por fases de algum desânimo ou frustração a nível profissional. As razões são imensas, porque temos que lidar com conflitos no dia-a-dia, porque gostaríamos de estar a fazer uma coisa diferente, porque nos sentimos pouco recompensados ou reconhecidos, porque o ambiente de trabalho pode não ser o melhor, porque ambicionamos mais, ou, simplesmente, porque não conseguimos encontrar no nosso dia aquela luz, aquele instante mágico que faz a diferença e que nos faz agradecer pelo que temos e pelo que fazemos. Enfim, mais uma vez, as razões são imensas, quase infinitas, tendo em conta o percurso de vida de cada um de nós.
Quem somos, donde vimos, para onde vamos?
Hoje comemora-se o Dia Internacional de Histórias de Vida. Um dia com um significado especial para quem trabalha diariamente com a valorização da vida das pessoas comuns, anónimas, mas que constituem a identidade do nosso país e que constroem, com o seu esforço, a sua História. E devo dizer que uma das coisas mais valiosas que me fica desta experiência profissional é, precisamente, ter aprendido a valorizar cada pessoa, cada história de vida, como se fosse a mais importante do mundo. Porque o é, de facto. Para a pessoa e para as que a rodeiam, é a história e a vida mais importante. E recordo-me daquelas que já li, que já me contaram, das pessoas que amo e me rodeiam, penso na minha própria história de vida. É, sem dúvida, fundamental que se respeitem e se dignifiquem as histórias de vida, como está a ser feito hoje com esta série de iniciativas.
E não me deixará perder o sentido da minha vida - concluiu com as suas próprias palavras.